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sábado, 22 de agosto de 2026

Prefeito vai gastar quase R$ 700 mil em “utensílios domésticos” em Lago Verde

Alex Almeida, prefeito de Lago Verde.

Contrato para o padrão do pequeno município do interior maranhense chama atenção pelo valor e pela vagueza do objeto

A Prefeitura Municipal de Lago Verde, por meio da Secretaria Municipal de Educação, formalizou um contrato de R$ 695.352,00 (seiscentos e noventa e cinco mil, trezentos e cinquenta e dois reais) para o “fornecimento de utensílios domésticos” destinado a atender “as necessidades das secretarias” do município. O extrato de nº 001-0207/2026, foi assinado em 2 de julho de 2026 e tem vigência de um ano. 

A empresa contratada é a El Shaday Comércio e Serviços LTDA, localizada na Avenida Nina Rodrigues, nº 7, na Ponta da Areia, em São Luís. O documento leva a assinatura da secretária municipal de Educação, Maria Rosalba Telino Oliveira Silva.

Objeto genérico, valor nada modesto

Chama atenção, antes de tudo, a formulação do objeto contratual, “fornecimento de utensílios domésticos para atender as necessidades das secretarias”. Não há, no extrato publicado, especificação de quantidades, itens, unidades de medida ou preços unitários, apenas a cifra global, redonda o suficiente para render boas manchetes e poucas explicações.

Mesmo se tratando de (SRP), modalidade que por si só não obriga o poder público a consumir todo o valor registrado, também não impede que o faça, o que costuma ser terreno fértil para contratos superdimensionados, já testados à execução em municípios pelo Maranhão afora.

“Utensílios domésticos” é categoria ampla o bastante para abrigar de panelas e vassouras a liquidificadores e jogos de talheres, e estreita demais, em transparência, para que o cidadão de Lago Verde saiba exatamente o que está sendo comprado com o dinheiro público.

Lago Verde é um município de pequeno porte, com população estimada em 14.769 mil habitantes, ou seja, menos de 15 mil. Um contrato de quase R$ 700 mil para itens domésticos representa, a grosso modo, mais de R$ 46,00 por habitante, números que merecem ser lidos à luz do que, de fato, uma secretaria municipal precisa de “utensílios” para funcionar, entre copos, talheres, panelas de cozinhas escolares, eventualmente eletrodomésticos de pequeno porte.

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