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| Dr. Liorne. |
Marido da prefeita e vereadora aliada usam grupo de funcionários
do Hospital Geral de Alto Alegre do Maranhão para distribuir ameaças políticas. O que era velado, virou
explícito. E o explícito, virou prova.
Mensagens
obtidas com exclusividade pela reportagem deste blog;
“Quem
estiver contra o governador está contra mim e principalmente contra Alto Alegre”
– Dr. Liorne, marido da prefeita Nilsilene.
“Quem
estiver contra o governador, está contra nosso grupo e contra seu emprego” – Vereadora
aliada da gestão Nilsilene, no mesmo grupo de WhatsApp.
Havia
uma vez um lugar chamado Alto Alegre do Maranhão, onde o poder público ensinava
seus servidores que gratidão política e permanência no emprego eram,
convenientemente, a mesma coisa. A lição chegou pelo WhatsApp, o ambiente
favorito dos corajosos que ameaçam em grupos fechados. As mensagens obtidas com exclusividade pela reportagem do Blog do Vanilson Rabelo não deixam margens para interpretação
generosa, o marido da prefeita Nilsilene, o médico Dr. Liorne, deixou claro no
grupo de colaboradores do HGAA, o qual ele é diretor-geral o recado que nenhum trabalhador
daquele município deveria precisar ouvir/visualizar de quem quer que seja,
muito menos de quem se apresenta como “benfeitor”.
A
mensagem começa com o verniz da gratidão, asfalto, areninhas, ambulância,
restaurante popular, o hospital que ele mesmo “lutou para trazer”. O roteiro é
clássico, primeiro lista-se o que foi feito pelo povo, para depois lembrar ao
povo que ele deve em troca. A lógica do coronelismo não morreu, ela só aprendeu
a usar emoji.
Mas
o que poderia passar por um discurso atabalhoado de político inseguro ganhou
contornos muito mais graves, quando uma vereadora da base aliada decidiu que a ameaça
velada do marido da prefeita era insuficiente, e tratou de torná-la explícita. Sem
rodeios, sem metáforas, “contra o governador, contra o emprego”. Pronto, dito,
registrado, arquivado.
Para
bom entendedor, o hospital geral se tornou palanque, e o servidor se tornou refém. O cenário
escolhido para as ameaças não é irrelevante, um grupo de funcionários de
hospital não é espaço de debate político, é espaço de gente que acorda cedo,
que lida com dor alheia, que recebe salários muitas vezes atrasados e depende
do emprego para sobreviver. Usar esse espaço para distribuir alinhamento
político obrigatório é, no mínimo, um abuso de autoridade moral. No máximo, e a
lei dirá, pode ser muito mais do que isso.
A
presidente da Câmara, Juliana Vieira, anunciou apoio a Eduardo Braide para o
governo do estado. Uma decisão política legítima, dentro das prerrogativas de
qualquer agente público, a resposta do grupo da prefeita foi correr para o
grupo do hospital e transformar servidores em reféns de uma disputa que não começaram
e da qual não deveriam ser cobrados.
Se
o apoio ao governador é tão bom e tão óbvio, por que é preciso ameaçar alguém
para obtê-lo? Gratidão genuína não precisa de coerção. Apoio real não precisa
de grupo de WhatsApp às quatro da tarde com recado de “ou você está conosco, ou
você está demitido”.
O
tempo das mensagens é revelador. O anúncio de Juliana Vieira causou uma reação imediata,
quase nervosa, do grupo da gestão municipal, quem age com segurança não corre
para o grupo do hospital. Quem tem base política sólida não precisa fazer gestão
de lealdade, entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais servidores da saúde.
O
que as mensagens revelam, no fundo, não é forma, é fragilidade. É o retrato de
um grupo político que confunde estrutura municipal com propriedade privada, que
trata o servidor público como empregado pessoal e que, diante da dissidência,
perde a compostura e mostra o que sempre esteve embaixo do verniz da gestão.
Alto
Alegre do Maranhão merece mais, os servidores do Hospital Geral merecem
trabalhar sem que seu contracheque seja usado como moeda de chantagem política.
E o eleitor do município merece saber, antes das urnas, com que tipo de grupo
está lidando.
As
mensagens estão aí, os nomes estão aí. O resto, é com a justiça e com o povo.


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