Bacabal
voltou a ver o rosto de Junior Lourenço (PL-MA).
Depois
de anos de ausência, o deputado federal resolveu pisar novamente no município que,
em 2022, lhe rendeu 2.418 votos, nada menos que 4,79% dos votos válidos na
cidade. Coincidência ou não, o reaparecimento acontece justamente quando o calendário
eleitoral começa a esquentar.
Mas,
a pergunta que este blog faz é, onde esteve esse deputado durante todos esses
anos?
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| Deputado Junior Lourenço em Bacabal, o blog não conseguiu averiguar de forma independente na residência de quem ele foi recepcionado, na ocasião dessa imagem, havia pelo menos dois parlamentares municipais presentes. |
Na
verdade, é um mandato inteiro de costas para Bacabal. Explico – desde que foi
reconduzido ao cargo, Junior Lourenço simplesmente sumiu do município. Nenhuma visita,
nenhuma agenda pública, nenhum projeto voltado para a população local. Bacabal seguiu,
enquanto seu representante na Câmara Federal brilhava pela ausência.
E
não foi só de Bacabal que ele se ausentou. No Congresso Nacional, Junior
Lourenço se notabilizou por outro tipo de recorde; o de deputado que mais
faltou às sessões plenárias, entre 513 parlamentares. Dados levantados indicam
que ele faltou a uma em cada cinco sessões. Um em cada cinco dias que a Câmara
funcionou, ele simplesmente não estava lá.
Ser
deputado federal não é apenas marcar presença nas votações. É, sobretudo,
trabalhar pelo município (s) que depositou sua confiança nas urnas, emendas
parlamentares existem justamente para isso, levar recursos federais para saúde,
educação, saneamento, habitação e infraestrutura nas cidades que o elegeram. No
caso de Junior Lourenço, a cadeira está ocupada e o povo desamparado.
Bacabal,
cidade que sempre teve demandas urgentes e histórica, tinha em Junior Lourenço,
assim como em outros nomes, oportunidade concreta de acesso a investimentos
públicos. Essa oportunidade foi desperdiçada. Relatórios sobre sua atuação indicam
que o deputado não apresentou projetos de lei relevantes durante o mandato, um
vazio de representação que a população pagou e continua pagando caro.
Para
completar o retrato, o parlamentar ainda enfrentou suspeitas de nepotismo, com investigações
sobre o emprego de familiares, incluindo a sogra, em seu gabinete. Ou seja,
quando aparecia, era para cuidar dos seus, não dos eleitores.
Agora
ele está de volta. Orando, segundo relatos, talvez pedindo que os bacabalenses esqueçam
os quase quatro anos de ausência, as sessões perdidas, as emendas que não vieram, os
projetos que não existiram.
A
memória do eleitor bacabalense, no entanto, precisa ser mais longa do que o ciclo
eleitoral. Deputado que some por quatro anos e reaparece somente quando precisa
de voto não merece ser chamado de representante. Merece ser chamado pelo que é,
um político que usa o mandato para si mesmo, e usa o eleitor como passaporte
para o poder.
Bacabal
merece alguém que esteja presente não só nas orações de véspera de eleição, mas
nas trincheiras do dia a dia, brigando por recursos, por políticas públicas e
pelo povo que o elegeu.
Isso,
Junior Lourenço nunca foi.