Enquanto
famílias dormem de aluguel ou nas ruas, imóveis do programa habitacional
apodrecem por falta de uso e ninguém faz nada
O
residencial Terra do Sol, em Bacabal, foi construído com uma promessa, dar
dignidade a famílias que não tinha onde morar. Com mais de 2 mil unidades
habitacionais erguidas com dinheiro público, o empreendimento deveria ser sinônimo
de esperança. Mas o que se vê hoje, em boa parte dessas casas, é o retrato fiel
do descaso, telhados sem telhas, portas e janelas inexistentes, paredes tomadas
pelo tempo e pelo uso de drogas.
Uma
dessas unidades, a qual o Blog do Vanilson Rabelo teve acesso, serve de alerta
para a situação do conjunto, a casa que exemplifica essa reportagem, está
completamente abandonada. Mais da metade das telhas já foi furtada. Não há
porta, não há janelas, não há qualquer sinal de que ali já existiu, ou poderia
existir um lar. O que resta é uma estrutura que serve de ponto de uso para
dependentes químicos.
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O
imóvel tem dono, tem nome registrado, tem documento assinado, tem histórico de
sorteio. O que não tem é responsabilidade. A pessoa contemplada simplesmente não
assumiu a casa, talvez nem pagou as parcelas, não manteve o imóvel, e, ao que
tudo indica, não tem necessidade real de estar ali. E é exatamente nesse ponto
que o sistema falha de forma escandalosa e miseravelmente.
Enquanto
esse imóvel apodrece, dezenas de famílias em Bacabal vivem em situação precária,
sem conseguir pagar sequer um aluguel. Vivem de favor, em casas superlotadas,
em situações de vulnerabilidade extrema. Essas pessoas jamais foram
contempladas, e talvez nunca sejam, enquanto o sistema continuar permitindo que
sorteados sem perfil real de necessidade, guardem um bem público como se fosse troféu
de gaveta, a exemplo de vereadores.
Há
uma ironia cruel nessa história e que já foi inclusive, de conhecimento da
população de Bacabal. Se alguém tomar conta da casa abandonada, consertá-la com
esforço próprio e passar a morar nela, o suposto dono aparece na mesma hora. De
repente, aquele imóvel que não valia nada passa a valer tudo. Surgem documentos,
surgem advogados, surge indignação.
Mas
enquanto a casa está caindo aos pedaços, esse mesmo dono não aparece para fazer
uma manutenção mínima, não aparece para responder pelo seu descaso.
A
solução não é simples, mas é necessária, tem que haver uma fiscalização ativa
por parte da CEF e da Prefeitura, com o objetivo de identificar imóveis abandonados
ou desocupados. Além de um processo de retomada dessas unidades, cujos beneficiários
descumpriram contrato, e chamada dos suplentes, priorizando famílias em situação
de vulnerabilidade real, já identificadas nos registros do CadÚnico.




















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