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segunda-feira, 16 de março de 2026

Se alguém invadir, consertar e morar, rapidinho o dono aparece cheio de “razão” no Residencial Terra do Sol

Enquanto famílias dormem de aluguel ou nas ruas, imóveis do programa habitacional apodrecem por falta de uso e ninguém faz nada

O residencial Terra do Sol, em Bacabal, foi construído com uma promessa, dar dignidade a famílias que não tinha onde morar. Com mais de 2 mil unidades habitacionais erguidas com dinheiro público, o empreendimento deveria ser sinônimo de esperança. Mas o que se vê hoje, em boa parte dessas casas, é o retrato fiel do descaso, telhados sem telhas, portas e janelas inexistentes, paredes tomadas pelo tempo e pelo uso de drogas.

Uma dessas unidades, a qual o Blog do Vanilson Rabelo teve acesso, serve de alerta para a situação do conjunto, a casa que exemplifica essa reportagem, está completamente abandonada. Mais da metade das telhas já foi furtada. Não há porta, não há janelas, não há qualquer sinal de que ali já existiu, ou poderia existir um lar. O que resta é uma estrutura que serve de ponto de uso para dependentes químicos.

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O imóvel tem dono, tem nome registrado, tem documento assinado, tem histórico de sorteio. O que não tem é responsabilidade. A pessoa contemplada simplesmente não assumiu a casa, talvez nem pagou as parcelas, não manteve o imóvel, e, ao que tudo indica, não tem necessidade real de estar ali. E é exatamente nesse ponto que o sistema falha de forma escandalosa e miseravelmente.

Enquanto esse imóvel apodrece, dezenas de famílias em Bacabal vivem em situação precária, sem conseguir pagar sequer um aluguel. Vivem de favor, em casas superlotadas, em situações de vulnerabilidade extrema. Essas pessoas jamais foram contempladas, e talvez nunca sejam, enquanto o sistema continuar permitindo que sorteados sem perfil real de necessidade, guardem um bem público como se fosse troféu de gaveta, a exemplo de vereadores.

Há uma ironia cruel nessa história e que já foi inclusive, de conhecimento da população de Bacabal. Se alguém tomar conta da casa abandonada, consertá-la com esforço próprio e passar a morar nela, o suposto dono aparece na mesma hora. De repente, aquele imóvel que não valia nada passa a valer tudo. Surgem documentos, surgem advogados, surge indignação.

Mas enquanto a casa está caindo aos pedaços, esse mesmo dono não aparece para fazer uma manutenção mínima, não aparece para responder pelo seu descaso.

A solução não é simples, mas é necessária, tem que haver uma fiscalização ativa por parte da CEF e da Prefeitura, com o objetivo de identificar imóveis abandonados ou desocupados. Além de um processo de retomada dessas unidades, cujos beneficiários descumpriram contrato, e chamada dos suplentes, priorizando famílias em situação de vulnerabilidade real, já identificadas nos registros do CadÚnico.

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