Por
volta das 3h do último sábado (19), a Polícia Militar foi a um bar no Centro
Cultural de Bacabal para encerrar seu funcionamento. Uma ação administrativa
simples, devia ter terminado ali. Não terminou.
Segundo relatos, clientes não aceitaram a determinação. O que era para
ser rotina virou resistência à abordagem, forçando os policiais a agir com mais
firmeza para conter a situação. Parte do grupo foi detido e conduzido à 16ª
Delegacia Regional de Polícia Civil. Onde deverão responder pelos procedimentos
legais cabíveis.
Analisando
as imagens, divulgadas pelo colega comunicador Ray Lima, observei que o
problema não foi e não é o bar, e sim, o precedente.
Ou
seja, quando um grupo decide que pode contestar fisicamente uma ordem legítima
da PM, a mensagem que fica é clara, a lei vale até incomodar, é essa lógica, de
que a autoridade pode ser negociada na marra, no calor do momento, com gritaria
e empurrão, que corrói qualquer Estado de Direito por dentro.
Não
existe fiscalização “opcional”. Ou o fechamento é legal e deve ser cumprido, ou
é ilegal e existem recursos administrativos e judiciais para contestá-lo. Resistência
física não está entre as opções. Nunca esteve, e quem perde quando a ordem é desafiada?
Esse
episódio de mulheres confrontando a guarnição custa caro, e não só para quem
acaba detido. Custa para os policiais, que arriscaram a integridade física em
uma ação que deveria ser burocrática. Custa para a instituição, que vê sua
autoridade testada publicamente. E custa para nós, sociedade, que “aprende”, por repetição, que desafiar a
lei é uma alternativa viável quando a decisão desagrada.
Isso não é abstração. É o motivo pelo qual ações de rotina viram operações de risco, pelo qual guarnições precisam de reforço para tarefas simples, e pelo qual a confiança nas instituições, que não é o caso de Bacabal, se desgasta um pouco mais a cada vídeo de tumulto que circula sem consequência visível, isso, em vários estados do país. Assistindo ao vídeo na íntegra, cheguei à conclusão que Bacabal fez a lição de casa que outros lugares evitam.
Neste
caso, houve resposta, contenção da situação e condução à delegacia. É assim que
deve ser, resistir a uma ação policial legítima não é ousadia, é infração, e
quem escolhe esse caminho precisa entender que vai responder por ele, não como exceção,
mas como regra.
A discussão sobre o mérito do fechamento do bar pode e deve acontecer nos canais certos. O que não pode virar hábito, é confundir descontentamento com licença para o confronto físico com policiais militares.
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