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terça-feira, 26 de junho de 2018

Fabricação artesanal de panelas e reciclagem; é fonte de renda em uma pequena oficina “Valdir das Panelas” em Bacabal



O trabalho tira o sustento da família e gera emprego.

Por Joab Ricardo O Lobo.

Na Vila Jurandir Lago, Rua 200, casa 09, no município de Bacabal estado do Maranhão, encontra-se a fábrica de panelas “ALUBOM” de propriedade do Sr. Valdir Pereira de 56 anos. No lugar ele fabrica além de panelas, papeiros, frigideiras, peças de máquinas entre outros serviços que são encomendados diariamente.

O trabalho na fabricação de panelas já tem 25 anos, tudo começou graças a um amigo, do estado da Paraíba que em visita a Bacabal ensinou o jovem Valdir o ofício da fabricação de panelas. Com o dinheiro da pequena fabrica que ele criou os seus filhos, Leandro Silva Pereira de 34 anos e Leonardo Silva Pereira de 32, Valdir é casado com a Sra. Cícera de Jesus Nascimento Silva, de 54 anos.

Atualmente a pequena fábrica emprega 04 pessoas e fabrica em média 35 peças por dia, sendo 45,00 R$ a maior peça e 23 R$ a menor. Durante esse período a fábrica já conquistou vários clientes e distribui para cidades como; Lago da Pedra, Bom Lugar, São Mateus, Pio XII e Santa Inês. As ferramentas usadas no processo de fabricação são simples, apenas dois tipos de furadeiras, a manual e a industrial.

Toda produção é entregue diretamente aos comerciantes, o que torna o preço das peças bastante acessíveis, pois não há a figura do “atravessador’ as panelas são bastante procuradas tanto por donas de casas e por comerciantes até dos estados vizinhos como o Pará e o Piauí, onde segundo Valdir, a aceitação é bastante significativa.

Todos esses anos trabalhando com a reciclagem lhe rendeu o carinhoso apelido de “Valdir das Panelas”, em todo bairro é assim que ele é conhecido, uma figura bastante carismática e prestativa que no período de datas comemorativas como Natal e Dia das Crianças costuma dividir o lucro da produção realizando ação social como distribuição de brinquedos e cestas básicas para famílias carentes. O ambiente de trabalho é bastante insalubre, devido as altas temperaturas registradas em Bacabal principalmente no período de estiagem (35º graus em média), o local vira literalmente um “forno”, mas segundo ele os muitos anos de trabalho nessa situação extrema já fez com que o seu organismo se adaptasse com o intenso calor da produção de peças. Em conversa com nossa reportagem ele admitiu que sonha um dia em trabalhar em lugar mais espaçoso e arejado.

O Processo O primeiro passo para a fabricação é derreter o alumínio para tirar todas as impurezas, em seguida as panelas são moldadas no barro que é um tipo de argila especial, encontrada apenas na cidade de Bom Jardim a cerca de 130 km de Bacabal, o saco da argila custa R$ 70,00 e com apenas 07 sacos se trabalha o ano inteiro, depois de feito os moldes o alumínio é despejado e após o esfriamento a peça está pronta para a lixadeira e acabamento final. Todo o material reciclado vem do lixo, são restos de portões, bacias, geladeiras velhas entre outros objetos que se transformam em matéria prima para a produção de panelas.



O Sr. Valdir, em entrevista disse sentir uma grande satisfação em trabalhar com reciclagem, ajudando o meio ambiente e empregando pessoas. “Não tive muita oportunidade de estudos, mas isso que aprendi tenho bastante orgulho, criei minha família com reciclagem e estou ajudando o meio ambiente, também emprego pais de família aqui na minha pequena fábrica, sou realizado com o que faço.”


A Vila Jurandir é uma das comunidades mais carentes da cidade de Bacabal. A comunidade sofre muito com falta de infraestrutura urbana como calçamento de ruas, rede de saneamento básico entre outros serviços fundamentais. O bairro tem um alto índice de desemprego e a maioria dos trabalhadores economicamente ativos encontra-se na informalidade. A povoação do lugar nasceu de uma “invasão”, portanto as ruas não possuem nem tipo de planejamento onde é possível notar muitas vielas e ruas sem saída.

O trabalho de reciclagem poderia se tornar uma alternativa viável para ajudar no processo de desenvolvimento econômico e social da comunidade. Segundos dados de pesquisas o Brasil perde anualmente cerca de R$ 08 bilhões por ano por não reciclar o seu lixo. Esse trabalho começa pela conscientização das pessoas que precisam aprender a separar o lixo, principalmente o alumínio que é o foco dessa reportagem.

Bacabal é um município de quase 100 mil habitantes e precisa investir em cooperativas de reciclagem como meio de desenvolvimento sustentável, a cidade hoje não oferece muitas oportunidades de empregos formais, a maioria da população sobrevive da cultura de subsistência e trabalho na construção civil ou ambulantes, talvez dessa inciativa simples da fabricação artesanal de panelas possa sair uma solução para alavancar a economia do município e melhorar a qualidade de vida da população.